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[Review] A Origem

Christopher Nolan é um cineasta corajoso. Numa época em que os floreios visuais de um filme contam mais do que seu roteiro e sua estrutura, o diretor de O Grande Truque e dos dois últimos Batman lança nos cinemas um filme que não duvida da inteligência do espectador, obrigando-o a martelar os fatos do filme constantemente, para não se perder na complexa trama criada pelo próprio cineasta.

A trama de A Origem (Inception) mostra uma equipe de espiões industriais liderada por Dom Cobb (Leonardo DiCaprio, em atuação ótima como sempre) que se especializa em entrar nos sonhos das pessoas e roubar os segredos empresariais a favor de seus empregadores. Quando o misterioso empresário Saito (Ken Watanabe) contrata a equipe de Cobb para plantar uma ideia ao invés de roubá-la, Cobb terá que contar com os melhores para uma empreitada que aparentemente, não houve precedentes. Aparentemente.

O diretor orquestra todos os elementos de seu próprio roteiro com grande maestria, usando a máxima do “só vou falar uma vez”. Nolan não insulta a inteligência do seu público e conta com que lembremos de todas as informações passadas pelos personagens. Se você piscar, já era. A estrutura da trama é digna de um Oscar de roteiro original, pois é muito bem trabalhada por Nolan (que passou 10 anos trabalhando na história do filme), fazendo com os que os eventos da narrativa surjam na hora certa, e em nenhum momento, parecem forçados ou artificiais. As ideias de Nolan sobre o mundo dos sonhos e como eles se desenrolam na nossa consciência fazem sentido e pegam o espectador imaginando se tudo aquilo acontece durante os sonhos.

Leonardo DiCaprio mostra mais uma performance sólida e bem composta em seu personagem: Cobb. Retratando-o como um homem extremamente eficiente em sua profissão e atormentado por traumas profundos, Cobb é um personagem fascinante cujas motivações vão sendo esclarecidas ao longo da narrativa. Ellen Page serve como a ligação entre o espectador e o filme ao interpretar a arquiteta que irá desenhar o plano dos protagonistas. Marion Cotillard (vencedora do Oscar de melhor atriz por Piaf – Um Hino ao Amor) surge misteriosa como Mal, uma mulher que vive entre os limites do mundo dos sonhos e tem uma ligação intensa com o personagem de DiCaprio. Complementam o elenco (todos ótimos, por sinal) Joseph Gordon Levitt, Tom Hardy, Cillian Murphy, Dileep Rao, Tom Berenger e pontas eficientes dos veteranos Pete Postletwhaite e Michael Caine.

A Origem é o melhor filme de 2010 e vale ver e rever várias vezes para absorver toda a sua complexa narrativa e todas as ideias que ele desenvolve. Como era descrito no início da sua produção, A Origem era um “filme de ficção e ação situado dentro da arquitetura da mente”. E de fato é. Dentro da arquitetura da nossa mente e da mente de Christopher Nolan. Nota máxima!

GuValente nunca consegue lembrar como começam seus sonhos.

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Os 3 Reis Magos do Cinema Atual

Howdy!

No cenário atual do cinema, existem poucos cineastas cujos nomes são sinônimos de qualidade garantida e bons filmes.  São nomes que vem definindo a estética narrativa e visual do bom cinema de hoje em dia. Cada notícia de projetos destes cineastas causam furor nas comunidades da internet, e de uma forma sempre positiva. Eis aqui, os 3 nomes que, na minha opinião, são os mais influentes na forma como vemos os filmes, sempre superando expectativas.

Christopher Nolan

Nolan é um cineasta que não brinca em serviço em colocar as emoções intensas de seus filmes à flor da pele. Suas duas incursões pelo mundo de Batman renderam não só bilhões de dólares para a Warner, como também foram sucesso absoluto de crítica de público. Nolan sabe arrancar atuações sóbrias e intensas de seus atores, e a maior prova disso foi o falecido Heath Ledger, em seu já lendário papel de Coringa, em The Dark Knight. Seus outros filmes também são magníficos e desafiam todas as convenções do cinema moderno. Narrativa fora de ordem e visual estonteante e urbano são as marcas de Nolan (talvez TDK seja seu único filme de narrativa linear). Seu próximo filme, A Origem, vem despertando intenso interesse pelo seu conteúdo misterioso e visual hipnótico. In Nolan we trust! E que venha logo o próximo Batman!

Guillermo del Toro

Com habilidade em misturar cenários místicos e personagens monstruosos com histórias bem humanas, Del Toro se tornou um nome fortíssimo no atual cinema. Sua obra mistura filmes de roteiros densos e elaboradíssimos (como A Espinha do Diabo e O Labirinto do Fauno) e obras de visual marcante, imaginativo e assustador (Hellboy 1 e 2, Blade II). Foi o escolhido de Peter Jackson para comandar a futura adaptação de O Hobbit, e tem deixado 10 em cada 10 nerds ansiosos pra ver logo o que ele fará com o amado livro de Tolkien. In Del Toro we trust!

Zack Snyder

Visuais estonteantes e muita polêmica. São essas as características que definem a curta, porém marcante filmografia do cineasta canadense. Snyder provou que sabe lidar com obras impossíveis de qualquer adaptação, ao trazer Watchmen para o cinema de forma inesquecível (não para Alan Moore e alguns fãs mais xiitas). Ele levou a adaptação de HQs a um nível ainda maior de estilização visual com 300, onde, assim como em Sin City, os quadros do filmes eram réplicas exatas de suas versões originais. Snyder virá em 2010 com a animação A Lenda dos Guardiões, e ano que vem trará Sucker Punch, seu primeiro filme baseado em um argumento de autoria própria. Será que ele dá conta? In Snyder we trust.

GuValente um dia vai pra Hollywood dirigir Watchmen 2 – O Retorno dos Sith

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