Para um filme se destacar na multidão de prateleiras é preciso mais do que uma boa capa, um bom roteiro e uma boa escolha de atores. Tudo precisa interagir entre si. Enquanto os atores precisam gastar solas de sapato naquele mundo imaginário, fica a cargo do público reconhecer os diversos aspectos do filme, ainda mais se as referências estiverem sempre a sua frente. Assim é O Livro de Eli.

Logo nos minutos iniciais, descobrimos que houve uma guerra mundial, que o mundo ainda está se adaptando, ao mesmo tempo em que flocos de cinzas caem pelo terreno, e ali, pessoas terão que sobreviver. Uma delas é Eli, incorporado por um Denzel Washington mais confiante e menos cheio de si, que caminha pela terra outrora chamada de Estados Unidos.

A guerra é apenas um pano de fundo para ocultar evidências – não sabemos por que nem por quem ela aconteceu -, mas fica claro que ali está a primeira crítica contra o mundo atual, às disputas atuais. Sabemos que aquilo mudou a vida e os costumes dos sobreviventes, deixando-os sedentos por sangue, e principalmente água, algo que um Mad Max fez nos Anos 80 – aqui também a primeira referência.

Conviver em um mundo pós-apocalíptico como esse não é nada fácil, ainda mais quando ele exibe suas marcas de bombas pelo caminho. Fica ainda mais complicado se “O Livro” que Eli estiver portando seja o último exemplar da Bíblia. Seguindo as ordens de uma voz, Eli encontra o livro por entre escombros e segue seu rumo ao Oeste, onde – a voz – diz ser o lugar perfeito para devolver o exemplar para sua origem.

Ao chegar a um vilarejo, somos apresentados à Carnegie (Gary Oldman), um ganancioso aristocrata que está a procura de um livro perdido. Claro que o caminho de ambos se cruza e somos colocados em uma perseguição mortal até o final do filme – nada que já não sabíamos. Mas aqui o que conta são os diálogos entre Denzel e Gary. Seu aristocrata é letrado e versátil como uma cobra, sabe manipular as pessoas e reconhece isso, e fará de tudo para ter a Bíblia em mãos. E cabe a um ‘iluminado’ Denzel impedir.

Elenco – Dentre todas as pessoas que cruzam o caminho de Eli, uma vale o destaque: Solara, interpretada por Mila Kunis (a Jackie de That ‘70s Show). Longe de ser a menina perdida da série de TV, aqui Mila assume um papel de destaque na trama, deixando de ser uma escrava para atuar como pupila de Eli em sua jornada. A então inocente Solara, se rebela contra Carnegie e aprende mais do que ela mesma sonhou participar. Se Denzel e Gary sustentam papéis de caráter no filme, ela conserva sua feminilidade e parte para ignorância ao defender O Livro.

Enredo – Caracterizado como thriller pós-apocalíptico, o filme vai muito além, por uma clara disputa religiosa, assumindo o lado Católico ao defender a Bíblia e sua contraparte o lado Evangélico, ao querer a Palavra como poder. Seria essa a trama principal do filme, se ele não fosse feito para os atores e suas impecáveis interpretações. Seria um filme qualquer, se não tivesse uma batalha entre espadas, um tiroteio a la Velho Oeste e uma guerrilha pessoal de Carnegie. Entre três disputas e um roteiro pontual, fica a última imagem de “O Livro de Eli” para somar mais um filme em minha prateleira de casa.

  • Confira o trailer do filme aqui.

Leo Luz está preparando seu kit de sobrevivência.