Era uma noite de domingo qualquer, que eu estava em casa, acordado só para assistir a entrega do Oscar junto da Kell. Prêmios para cá, para lá, e a grande sensação Avatar estava ali para o prêmio principal, mas fomos surpreendidos quando o anúncio foi para Guerra ao Terror e à sua diretora Kathryn Bigelow. No Brasil, o filme veio direto para DVD meses antes do Oscar e, milagrosamente, surgiu nos cinemas uma semana depois da premiação. O que ninguém avisou para todo mundo é que o filme foi vendido errado, causando muita confusão.

Explicando melhor: o nome original do filme é The Hurt Locker, ou O Armário de Dor, nome dado para o equipamento anti-bomba que o personagem principal usa boa parte do longa, e que sem motivo aparente, foi ‘traduzido’ para Guerra ao Terror. Não há combates de guerra no filme, ela é só um pano de fundo para contar a história – e esta, é sobre os protagonistas nessa grande batalha longe de casa.

O filme se atenta para um grupo de soldados americanos que tem menos de 40 dias para voltar para casa e completar sua missão em solo afegão. Em um erro de cálculo, o líder do pelotão anti-bombas é morto por uma explosão, o que culmina na chegada do sargento William James (Jeremy Renner) para tomar o controle da equipe. Só esqueceram de avisar a todos que ele é um maluco obcecado por desarmar bombas, e consequentemente, o melhor no que faz.

Para quem aluga o filme com a ideia de que irá ver mais um ‘Resgate do Soldado Ryan’, ou então um ‘Apocalypse Now’, é melhor trocar de prateleira e pegar um filme mais soturno, porque em Guerra ao Terror, temos um olhar mais dramático para cima do trio protagonista. Além de James, o grupo é formado pelo sargento J.P. Sanborn (Anthony Mackie) e pelo soldado Owen Eldrgde (Brian Geraghty), onde cada um representa um estereótipo: James é o maluco sabe-tudo, Sanborn desconfia de cada ação feita e Owen sofre de distúrbio do pânico.

Os dias estão passando e neles conhecemos cada personagem dentro do filme, e é nesse ponto que a diretora desliza um pouco na areia. Não temos uma profundidade necessária explorando cada pessoa, são apenas cenas perdidas de um telefone nas mãos, um olhar mais distante no horizonte e o uso excessivo dos close-ups para mostrar o desespero do soldado, o que nos faz ir para o final. E que final!

Tudo o que a diretora Kathryn Bigelow esteve tentando mostrar no filme, foi exemplificado nos 20 minutos finais, e de certa forma, traduziu bem o que se passa durante uma guerra – porém, em uma sequencia extremamente rápida, e infeliz. O que ela fez, já foi usado antes por titio Spielberg e Tom Hanks, na série Band of Brothers: mostrar como se porta um ser humano diante da guerra, e o que ela representa para ele. É cruel pensar que a guerra e seus combatentes são sua segunda família? Sim, mas é isso que faz deles soldados. E o que faz deles, terem certas escolhas. Nota: 9

Leo Luz deu uma nota alta, mas ainda prefere Band of Brothers. SEMPRE!