Em Jornada nas Estrelas IV, quando a tripulação da Enterprise precisa voltar no tempo para salvar a Terra, o capitão Kirk e o Dr. McCoy discutem sobre o método de se viajar no tempo. No universo dentro de Jornada basta simplesmente dar uma volta ao redor do Sol, no tempo e velocidade precisos para retornar ao período que o viajante deseja. Pois bem, eu queria saber a fórmula que eles usariam para fazer voltar uma hora e meia da minha vida da noite de sábado passado.

Legião começa com uma premissa que apesar de polêmica, ficaria muito interessante se tivesse sido bem desenvolvida pelo roteiro: o que aconteceria com a Humanidade, se Deus perdesse a fé nos homens mais uma vez? O roteiro sugere que ao invés de um dilúvio, Deus mandaria anjos para exterminar os homens e purificar a Terra.

Mas um arcanjo não concorda com isso: Michael (Paul Bettany), que ainda tem fé nos humanos e parte para salvá-los das mãos do arcanjo Gabriel (Kevin Durand, o melhor ator do filme, mesmo aparecendo só por uns 15 minutos ou menos). Nesse cenário, a jovem garçonete Charile (Adrianne Palicki) está grávida de oito meses de um bebê que, segundo Michael, trará a futura salvação da humanidade. A batalha final será travada no barzinho de estrada Paradise Falls, onde conhecemos vários personagens cujos nomes eu já esqueci.

A premissa é até bastante interessante e polêmica, mas o diretor estreante Scott Stewart não consegue se aprofundar em seus personagens, dando a eles dramas superficiais, que aparecem quando convém à trama (geralmente antes de morrer, um personagem conta o seu passado sofrido e cheio de problemas, pra morrer logo em seguida, recurso este que eu ODEIO em qualquer filme). O bebê de Charile também é um artifício porcamente desenvolvido pelo roteiro. Quem é esse bebê que supostamente vai salvar a humanidade? Ele é Jesus Cristo? Ou algum anjo rebelde? Nunca saberemos.

A ação não consegue fugir do clichê e a fotografia lembra os filmes de Michael Bay com seus tons azuis e amarelos super granulados. O ritmo do filme é lento e várias vezes me peguei bocejando durante o filme. O elenco faz o que pode com seus personagens mal escritos, destacando Dennis Quaid como o dono do barzinho Paradise Falls e Lucas Black (de Velozes e Furiosos 3) como o filho do dono do bar que é apaixonado por Charile. Se o filme tivesse focado apenas no drama desses dois personagens, o filme seria menos arrastado e mais conectado com o público. Paul Bettany parece só querer pegar seu pagamento e ir embora dali, e Kevin Durand como Gabriel faz um trabalho mais digno de nota e é dele, a melhor cena do filme (a chegada de Gabriel ao barzinho é uma ponta do potencial desperdiçado do filme).

O final é quase uma mistura entre os finais de Exterminador do Futuro 1 e 2, o que me incomodou bastante, pois sou fanático por esses filmes. Legião foi um fracasso de público e crítica nos EUA e aqui no Brasil foi lançado direto em DVD. Fato curioso esse, pois em todos os filmes que vi no cinema em 2010, o trailer de Legião era exibido e o cartaz ainda está no saguão do cinema em Jundiaí.

Não acredite no trailer, pois Legião é um filme arrastado e entediante, que não desenvolve suas ideias e não aproveita os bons atores que conseguiu para o seu elenco. Se quiser ver uma boa trama sobre a guerra entre o Céu e o Inferno, assista o velho e bom Anjos e Rebeldes. ou acompanhe a série Supernatural. Só ganha uma nota 3 pela cenas do arcanjo Gabriel.

GuValente não gosta quando os trailers são melhores do que os filmes.