Predadores é o que é. Se você já viu algum dos filmes antigos da franquia Predador, já sabe exatamente o que lhe aguarda neste filme. Se ainda não assistiu, crie vergonha na cara e vá pra locadora e alugue pelo menos o primeiro, obra prima de 1987, com Arnold Schwarzenegger no papel principal e dirigido por John McTiernan.

O filme começa com várias pessoas desconhecidas e fortemente armadas caindo em uma misteriosa floresta. Entre eles, há um mercenário, um agente da Yakuza, um guerrilheiro, um soldado russo, um condenado à morte e um médico desarmado. Depois de encontrar inúmeras armadilhas, eles deduzem que estão em algum local de caça, onde eles são a presa. Após chegar a um desfiladeiro, e perceber o céu lotado de planetas e anéis de fogo, percebem que não estão na Terra, mas em algum outro lugar sem nome. Ali vão tentar fugir para sobreviver à caçada intensa e incansável dos predadores, caçadores apenas pelo esporte, pela glória, e pelos troféus feitos de crânios de suas presas.

Se você procura por um detalhado estudo de personagens, suas motivações e seus medos, sinto muito amigo. Não vai ser em Predadores que irá encontrar tudo isso. O fato de sabermos pouco sobre os personagens nos aproxima um pouco mais dessas pessoas, ao nos sentirmos na mesma situação deles: perdidos e tendo que confiar um no outro pela sobrevivência.

Mas o manual do thriller de sci-fi dos anos 80 foi cumprido à risca pelo competente diretor Nimrod Antal: temos os palavrões em demasia, a estética dos personagens lembram os “bad-ass” do filme original. Temos o cara chato, a moça bondosa e forte, o alívio cômico, o cara quieto, o sujeito legal e o grandalhão bondoso. Temos aqui a trilha sonora exagerada, o visual cheio de névoa e luzes a la “Alien”, as frases de efeito (“This is hell” de Danny Trejo é demais!!). E claro, as homenagens sutis ao clássico original dos anos 80 em pequenos detalhes como falas e a aparição gloriosa do predador original!

As atuações são o que se espera de um filme desse estilo: os atores correm bem, sabem fazer cara de malvados e não comprometem o filme. Adrien Brody e Alice Braga são os atores que se destacam no elenco, e Topher Grace faz um trabalho interessante, ainda que o roteiro lhe reserve uma reviravolta cujo propósito é meio difícil de engolir, afinal por que ele esconderia dos outros uma informação que revelada na hora certa, não seria exatamente um fardo para seus companheiros? Vejam o filme e entenderão o que eu quis dizer.

Laurence Fishburne é o único fator desse filme que me incomodou profundamente. Pra mim, temos o vencedor do Framboesa de Ouro de 2011. O roteiro desperdiçou uma ideia muito interessante: e se uma pessoa abandonada ali há muito tempo tivesse aprendido a viver naquele planeta, manusear todos os equipamentos dos Predadores e ainda aprender a andar e se comportar como um deles? Bom, forme a resposta por si mesmo porque o filme desperdiça essa ideia de uma forma muito porca, e Fishburne parece que sacou que o personagem dele era inútil mesmo, ligou o “foda-se”, pegou o cheque e foi embora.

Os predadores continuam sendo sensacionais sempre, a aparição do predador clássico fará os fãs do original sorrirem de ponta a ponta (inclusive a execução da trilha sonora do filme antigo na aparição do predador é o ponto alto do filme), e destaco a beleza dos efeitos especiais de animatrônica de todos os predadores, dando uma porrada épica nos efeitos caros de CGI, que foi usado de forma econômica no filme, dando a ele um visual muito legal e digno de um filme do Predador.

Não deixe de conferir este filme no cinema. Ele é clichê, previsível e logo de cara é possível adivinhar quem morre e quem fica no final. E é uma das melhores diversões que tive no ano fraco que 2010 tem sido para o cinema. Robert Rodriguez produziu um filme sólido e seu diretor Nimrod Antal imprime ritmo e uma boa presença de cena aos seus atores (menos Fishburne é claro ¬¬). Nota 8,5!

GuValente acharia engraçado se as fãs crepusculetes começassem a usar camisetas Team Alien e Team Predator. Eu seria do Team Alien.