Certo, nunca gostei muito de Astro Boy, mas confesso: Metrópolis por Osamu Tesuka, me deixou incrivelmente arrepiada. Com o texto original do Deus do Mangá, ele prevê o futuro com uma precisão que poucos são capazes de fazer (tirando o ‘Pai’ Isaac Asimov!) em filmes, revistas e livros de todos os tipos.

Sinopse: Em um futuro talvez não tão distante, está ocorrendo a Convenção dos Cientistas, em uma Metrópolis tecnológica, e entre eles, está o Doutor Lawton, que faz a descoberta da criação das células sintéticas. Durante a convenção, eles discutem a origem de manchas pretas no Sol, fazendo com que as células sintéticas passassem a funcionar. Com esse caso em particular, o líder do Partido Red, o malvado Duque Red, ordena ao Lawton criar um super-humano, que o constrói, mas com medo de que sua criação fosse usada para o mal, simula a destruição de seu projeto, passando a criá-lo como se fosse seu filho, com o nome de Michi.

Após a morte de Lawton, Michi é adotado pelo Detetive Higeoyaji, que veio a Metrópolis investigar as bandidagens do Partido Red. Então começa a briga: o detetive protegendo Michi e o Duque Red querendo se apossar do super-humano para dominar o mundo. No desenrolar da história, vemos Michi em um conflito interno em ser meio humano e meio robô. Enquanto isso, ele vê e percebe toda a falsidade humana, se revolta contra tudo e todos que acaba gerando em uma revolução robótica, em que os alvos são os humanos.

Osamu, inspirado no filme alemão de mesmo nome de Fritz Lang, traz para o mangá seus traços de Astro Boy, em que todos os personagens tem praticamente o mesmo rosto, mudando apenas alguns aspectos. Apesar disso, as falas das personagens são muito inocentes, chegando ao ponto de me irritar alguns momentos, e me fazem pensar: “Caramba! Como ele não percebe isso meu?!”. Mas é exatamente ai que está a graça. É uma história de um super-humano, com poderes, incompreendido.

História de uma geração cheia de tecnologias, mas falsa, que não consegue se conter com o que tem e sempre quer mais. No final das contas, percebemos que o preço a pagar é alto, e que se até um robô pode ter um coração, por que justamente os humanos, não praticam o bem?

Metrópolis, escrito por Osamu Tezuka, foi publicado pela primeira vez no Brasil, e pode ser encontrado por R$24,90.

Kell agora está ser tornando uma artista (não autista) e desenhando. Você poderá encontrar seus rascunhos aqui, ela necessita de opiniões.

Corram! Hoje é o último dia para participar!