Faz um bom tempo que a ‘fórmula’ Disney, e depois refeita pela Pixar, acabou nos cinemas, onde os heróis eram salvadores da pátria, a princesa indefesa ficava a espera de salvação e os diabólicos vilões maquinavam seus planos perversos. Hoje em dia, as animações para telona deixaram de ter como público-alvo as crianças (e tais contos), e passaram a desenvolver mais seus roteiros para ganhar os pais acompanhantes. A própria Pixar faz isso maravilhosamente bem, colocando pontos fortes em uma história e deixando um pouco o alívio cômico – e criaturas bizarras – para os ‘baixinhos’.

O cinema atual se aproveita das duas fórmulas e não faz feio para ninguém: alimenta os sonhos infantis e coloca uma história envolvente e dramática em tudo. Foi assim com a DreamWorks e seu Shrek; foi assim com a Blue Sky Studios e seu Era do Gelo. Mas seria possível entrar nesse ramo sem bater de frente com todos os envolvidos? E se sair bem?

Respondo com uma certeza absoluta e agora mesmo: sim!

Meu Malvado Favorito (Despicable Me, no original) é a animação de estreia da novata no mercado, Illumination Entertainment, empresa fundada pelo ex-presidente da 20th Century Fox Animation, Chris Meledandri, responsável pelos clássicos: A Era do Gelo (distribuidora), Simpsons – O Filme, Robôs, entre outros. Então, nada melhor do que confiar em uma pessoa que conhece o gênero das animações e aposta alto para seu sucesso.

Gru é um vilão diabólico (olha a referência!) que enfrenta qualquer coisa para fazer o que sabe de melhor: roubar… filas e vagas de estacionamento. No filme, descobrimos que alguém anda roubando os monumentos históricos e Gru, na sua melhor forma, só consegue congelar pessoas e ganhar um café mais rápido. Sabendo do caso, e de quem está por trás do mistério, ele resolve promover o maior roubo de todos: encolher a Lua. Mas ele precisa de um pequeno empréstimo no Banco dos SuperVilões para construir seu foguete e usar sua máquina encolhedora.

Nesse meio tempo de espera, Gru conhece Vector, o mais novo supervilão do pedaço, que lhe rouba a arma para encolher a Lua e foge para sua casa cheia de armadilhas. Com o tempo do empréstimo se esgotando, Gru vigia a casa de Vector e bola um plano perfeito: adotar as três pequenas meninas que sempre vendem doces na porta de seu rival, para que elas, Margo, Edith e Agnes, o ajudem a roubar de volta a arma encolhedora e assim realizar o roubo da Lua. Não preciso nem dizer que as três meninas irão mostrar a Gru o quanto é importante ter – e ser – uma família feliz, fazendo-o lembrar de seu passado triste e conquistando um espaço reservado no coração gelado do vilão.

Vale destacar também, que o filme foi pensado para o 3D, não o ‘mágico 3D’ que todos dizem, mas aquele que personagens pulam na sua frente, objetos voam na direção da plateia e as animações ficam mais ricas e fantásticas para as crianças. Pude perceber isso apenas no final do filme (que assisti em 2D mesmo), quando aparece um curta-metragem com os Minions. Nele, os bichinhos amarelos estão a beira de um penhasco e por serem malucos demais, tentam de qualquer forma chegar mais longe do que o outro, utilizando escadas, varas de pesca, andaimes. Tudo em direção ao público e ali, com os óculos de 3D, ficaria muito mais divertido.

A história do filme pode parecer confusa, mas durante os 30 primeiros minutos, vemos tudo isso de uma forma colorida, com ações já esperadas e claro, muita diversão. Destaque para os ajudantes de Gru, os Minions: eles são tão espertos quanto o dono e arrancam boas risadas do público, além de fazer a festa da criançada. Assim com o trabalho muito bem feito da Illumination em trazer uma história nova, personagens marcantes, sem parecer repetitiva e no final, não mudar o rumo do ‘Felizes para Sempre’, Meu Malvado Favorito apresenta em uma hora e vinte minutos o porque da magia de três menininhas em um vilão todo negativo. Nota 9,5!

Leo Luz chora em filmes com histórias marcantes.