Howdy!

Gerard Way é uma espécie de incógnita pra mim. O cara é líder de uma das principais bandas emo do planeta, o My Chemical Romance, usava franja pro lado, lápis no olho e o caral** a quatro que todo homem jamais usa. Por outro lado, o cara é casado, venera Watchmen e entende MUITO de Quadrinhos, a tal da Nona Arte. Durante os dias de folga de uma das turnês do MCR, Way começou a esboçar algumas ideias do que se tornaria o Umbrella Academy. Depois de aprovado pela editora Dark Horse Comics, Way se aliou ao desenhista brasileiro Gabriel Bá, pela primeira vez ilustrando uma história de super-heróis.

O resultado? Uma das HQs mais divertidas que já li, com um roteiro sólido, ainda que pouco original, e uma arte maravilhosa.

Em uma noite, 43 crianças com poderes especiais nasceram sob circunstâncias misteriosas. O excêntrico milionário Sir Reginald Hargreeves (que na verdade é um alien vestido de humano) consegue localizar e adotar apenas sete dessas crianças, que ele cria para se tornarem super-heróis com a finalidade de salvar o mundo de qualquer porcaria que acontecer. (Isso inclui, pasmem, uma Torre Eiffel enlouquecida, controlada pelo robô fantasma do criador da torre, Gustave Eiffel). Porém, algo acontece entre os irmãos, e o time se separa. Anos depois, sir Reginald morre, motivando a reunião dos sete irmãos entre ressentimentos e brigas antigas.

Tudo isso sem contar uma estranha orquestra que quer tocar A Suíte do Apocalipse e destruir o mundo, mas precisa de um violinista, e a única pessoa a se apresentar é uma das “filhas” de sir Reginald, ressentida pelo fato de não ter super-poderes e ser ignorada pelo pai por conta disso.

A história em si pode não parecer grande coisa, mas o diferencial de The Umbrella Academy está em seus personagens bizarros e divertidos e seus poderes igualmente estranhos. Destacando a personagem Allison, que tem o codinome de Rumor, pelo simples fato de que tudo que sai da boca dela se torna verdade. Esse é o poder mais criativo criado por Way, enquanto os outros se resumem a ter super-força, falar com os mortos, agilidade e poder de viajar no tempo à vontade.

O personagem Pogo é fascinante por ser a voz de carinho na família. Detalhe: ele é um chimpanzé. E o personagem conhecido apenas como Nº5 retorna de uma viagem no tempo onde testemunhou vários horrores e não revela tudo que viu neste primeiro livro. Sem contar o Spaceboy, que tem cabeça de um homem e corpo de um imenso gorila. Bizarro é pouco pra descrever.

O roteiro pode parecer um pouco confuso numa primeira leitura, mas o álbum vale uma segunda chance, pois é possível pegar detalhezinhos que perdemos da primeira vez. O roteiro de Gerard Way amarra várias pontas criadas pela história e deixa algumas outras em aberto. (afinal, quem é o Dr. Terminal e por que ele não pode escapar do hotel? Que hotel é esse? Quem é o inspetor Lupo?).

A arte de Gabriel Bá é formidável, destacando os traços estilizados e o visual dos personagens que em algumas vezes, me lembrou o visual de Batman – A Série Animada.

Não é a toa que The Umbrella Academy – A Suíte do Apocalipse ganhou vários prêmios, entre eles o cobiçado Eisner Awards em 2008 por Melhor Minissérie. A história é divertida, cativante, e ficamos ansiosos para conhecer mais sobre os personagens fascinantes criados pelo roteirista. A Devir publicou A Suíte do Apocalipse no Brasil, e em breve teremos a continuação, intitulada The Umbrella Academy – Dallas. Lá fora, a terceira parte vai se chamar The Umbrella Academy – Hotel Oblivion e vai sair em breve. Sem mais delongas, nota 9 para The Umbrella Academy.

GuValente ouviu dizer que ele vai ser um roteirista fodão. (Rumor feelings)