Salve salve!

Eu já posso dizer que 2010 foi o ano dos filmes baseados em histórias em quadrinhos, assim como o ano de remakes dos filmes clássicos de 70/80. Teve testosterona pura caindo das telas com Esquadrão Classe A e, claro, Os Mercenários, além de muita fantasia e efeitos especiais em Homem de Ferro 2 e Kick-Ass. Mas, um filme passou despercebido, por entre as sessões de final de ano, que pouca gente comentou e que existe um grande elenco envolvido: RED – Aposentados e Perigosos.

O filme é baseado na história em quadrinhos de mesmo nome e respeita apenas 2 fatos da revista, o primeiro é o personagem principal da trama, Frank Moses, careca e rabugento que não poderia ser feito por ninguém menos que Bruce Willis e o segundo fato é que estão querendo matar o ex-agente federal de qualquer maneira. A HQ está sendo lançada no Brasil pela Panini Comics, mas o filme logo logo já chega às locadoras!

Logo no início, você é apresentado a Frank, sujeito pacato, vivendo na sua modesta casa de subúrbio americano, como um legítimo aposentado do FBI: comendo, dormindo e ligando para as pessoas do Seguro Social. O engraçado aqui é que Bruce Willis continua com seu jeito canastrão, malandro e sua cara de “It’s cool, dude!”, mesmo quando agentes treinados invadem sua casa para tentar matá-lo, coisa que não é tão fácil assim. Em um desses telefonemas ao ‘INSS’ genérico, ele envolve Sarah (personagem divertida de Mary-Louise Parker) na trama do governo e ambos têm de escapar do FBI que os querem mortos.

O própria HQ é uma ‘homenagem’ aos velhos filmes anos 80, e não me surpreende ver cenas ‘clássicas‘ como a fuga e perseguição de carros durante o filme, onde Frank dá um cavalo de pau, abre a porta, sai andando sem o carro esbarrar nele e atirando contra o agente federal encarregado de exterminar Frank, personagem de Karl Urban (Star Trek). É pura adrenalina, é testosterona na veia, e antes que alguém diga que a cena é muito forçada (e realmente !), ela faz parte da trama de quem é Frank Moses. Assim como o restante do filme, em meio a tiros, explosões e lança-foguetes, existe uma história de conspiração que te leva ao surpreendente final.

Eu comentei antes sobre um elenco estrelado, certo? No meio da fuga de Frank e Sarah, eles precisam buscar recursos como informação, armamentos, e pessoas capacitadas para o trabalho contra a agência que os caça. Então, nada melhor do que visitar os velhos amigos Morgan Freeman, John Malkovich e Helen Mirren, antigos agentes federais que também foram descartados e aposentados do grupo. Joe (Freeman) está parado em uma clínica para idosos, mas sempre está por dentro das notícias. Marvin (Malkovich) é o pirado, maníaco por explosivos, “Old Man, my Ass!” e Victoria (Mirren), na melhor definição por ela mesma: “Eu mato pessoas, querida”.

Por entre frases de efeito, atores famosos e Helen Mirren usando uma metralhadora, RED – Aposentados e Perigosos trouxe neste fim de ano o aspecto que muitos cineastas procuram e não alcançam: um cinema que ao mesmo tempo emociona com cenas rápidas, diverte com piadas mais cabeças – sem aquele humor infantil – e traz uma história policial que nem sempre é bandidos contra mocinhos.

E tudo por uma razão plausível, sem aquela vingança sem freios que os filmes de hoje trazem. RED não é uma adaptação fiel dos quadrinhos, mas é uma releitura da história da HQ para um filme de pouco mais de 1 hora e meia. Com maciez, recheio, cobertura e… uma banana de dinamite como vela. RED – Aposentados e Perigosos leva uma nota 9,5 porque eu gostaria de uma continuação, ao mesmo tempo que uma fatia só está bom demais.

Leo Luz queria ver esse filme nas mãos de Tarantino.